“Um bom educador abraça quando todos rejeitam; anima quando todos condenam; aplaude os que nunca subiram ao pódio; vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes”.

A.Cury

16 setembro 2017

VOCÊ SABE O QUE É ENSINO CLÁSSICO NA MATEMÁTICA?

Por Andréa Gonçalves


O ENSINO DA MATEMÁTICA NO SÉCULO PASSADO

Segundo Pereira (2010) por volta da metade do séc. XX, a disciplina era transmitida pelo chamado Ensino Clássico.
Neste tipo de metodologia os números eram ensinados um a um seguindo a série numérica, ou seja, o professor não poderia apresentar o número 6, caso não tivesse ensinado o número 5 e assim sucessivamente. As atividades elaboradas tinham como pressuposto central a escrita convencional dos números, portanto, desenhar, pintar, escrever ou recortar, dentre outras, eram consideradas essenciais. Uma das ideias principais é que o conhecimento entrava através dos olhos, imitando, copiando e observando.
Desta maneira, primeiro se ensinam as noções para que depois fossem aplicadas, ou seja, considerava-se que as crianças só conseguiriam resolver problemas se previamente o professor lhes ensinasse os procedimentos necessários. Todo o processo de ensino aconteceria de forma gradativa e sistematizada sendo que todas as etapas precisavam ser previamente estabelecidas para que ao final o aluno conseguisse desenvolver os procedimentos necessários.
"[...] Antes de qualquer resolução de problema operação é preciso ensinar os pré-requisitos as tais atividades pré-numéricas entende-se aprendizagem como algo cumulativo a somatória de pequenas partes e o mais importante é o treino feito com repetição e memorização das noções Matemáticas" (LIPPMANN, 2009, p.77). Os professores entendiam que os alunos eram como tábulas rasas, ou seja, não eram providos de nenhum conhecimento. Martins, (2008, p.89) explica que nesta abordagem o discente era um "[...] receptor passivo, sendo levado a aproximar-se dos modelos universais conduzidos pelo mestre". Na relação entre professor e aluno, o docente era o centro do processo, sendo o detentor exclusivo do conhecimento. No ensino clássico, as interações em sala de aula são quase exclusivamente dirigidas pelo professor. Em sala de aula, a postura do mestre era o de falar, transmitir seu conhecimento enquanto aluno escutava, assimilava e executava as atividades propostas.
Esta abordagem se fundamenta, de acordo com Silva (s.d) nas décadas de '40 e '50. O ensino de matemática evidenciou-se pela memorização e mecanização, exigindo dos discentes que decorassem, memorizassem e praticassem listas enormes de exercícios de forma mecânica, que para este autor, eram insignificantes.

O ALUNO ASSIM TORNA-SE MERO REPRODUTOR DAQUILO QUE LHE ERA ENSINADO SEM COMPREENDER REALMENTE O SEU SIGNIFICADO.

Nesse universo didático encontramos o ensino da matemática, em que crianças são obrigadas a realizar exercícios alheios ao seu nível de desenvolvimento cognitivo, preencher lacunas e resolver problemas mecanicamente, com base em um modelo apresentado.
O aluno não compreende o que está fazendo o porquê deve fazê-lo. Sua preocupação é tratar de adivinhar a resposta que o professor quer e com isso conseguir uma boa nota para ser promovido (ARANÃO, 1996, p.8). Segundo (Renz, 2005 p.404) ao utilizar esta metodologia de ensino os professores desta disciplina fundamentavam-se em uma prática educativa que dá continuidade a teorias validadas, sem refletir ou questionar sobre elas, alegando que a matemática era uma ciência exata. Para ensinar as noções matemáticas, o professor utilizava etapas previamente estabelecidas independente do desenvolvimento individual de cada aluno.




Dentro de este contexto, a concepção de aprendizagem elaborada por Moreno (2006) postulava os seguintes aspectos:

  • Estímulos corretos: Durante o processo de aprendizagem o professor oferecia aos seus alunos os impulsos necessários para que houvesse evoluções.
  • Progressão do discente: O desenvolvimento dos alunos se dava organizando a aprendizagem do mais simples para o mais complexo. Isso é explicado pela forma de como se compreende: a aprendizagem e o sujeito.
  • Como se entende a aprendizagem: A aprendizagem acontecia com treinamentos específicos e através de acúmulo de conteúdo. Tudo que se aprende era oferecido em pequenas porções.
  • Ideia de sujeito (aluno): O educando era totalmente desprovido de saber necessitando repetir e memorizar tudo o que lhe era oferecido através de exercícios recorrentes e de fixação.

O SIGNIFICADO DO SABER MATEMÁTICO

Acompanhando esta corrente, Moreno (2006 p.44) ressalta em seus postulados que "[...] a ideia principal é que consiste no domínio dos procedimentos formais" da matemática. [...]
Saber matemática é ter domínio dos procedimentos formais. O aluno demonstra que sabe matemática quando escreve os números corretamente, quando faz contas, quando resolve problemas ― considerando-se que os problemas não são conteúdo, mas uma forma de treinar as operações. Os enunciados devem indicar se a conta ser feita para resolução do problema é de mais ou de menos. Além disso, as sequências de ensino são organizadas da mesma maneira. (LIPPMANN, 2009, p.78)
Em outras palavras, o aluno mostrava que sabia quando se utilizava de procedimentos canônicos como escrever os números convencionalmente, realizar contas...
Em relação às situações-problema, elas não eram entendidas como meios de ensino, mas como propostas nas quais se podiam exercitar os conceitos aprendidos. Acompanhando estes parâmetros, as sequências de ensino se organizavam indo do mais fácil para o mais complicado.

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BIBLIOGRAFIA, FONTES E REFERÊNCIAS


ARANÃO, Ivana Valéria Denófrio. A Matemática Através de Brincadeiras e Jogos. Campinas: Papirus Editora, 1996.

FREEPIK, Imagens Vetoriais. Recursos Gráficos para Todos.

LIPPMANN, Luciane. Matemática Para Educação Infantil. Curitiba: IESDE  Brasil, 2009.

MARTINS, Pura Lúcia Oliver. As Formas Práticas de Interação Entre Professores e Alunos. In: VEIGA, Ilma Passos de Alencastro (Organizadora). Lições de Didática. São Paulo: Papirus Editora, 2007.

MORAES, Marcia; RENZ, Sandra Pacheco. A Importância da Linguagem na Solução de Problemas Matemáticos no Ensino Fundamental. In: LEHENBAUER, Silvana; PICAWY, Maria Maira; STEYER, Vivian Edite; WANDSCHEER, Maria Sirley Xavier (Organizadoras). O Ensino Fundamental no Século XXI: Questões e Desafios, p. 403-413. Canoas: ULBRA, 2005. Acesso em 15 de janeiro de 2016.

MORENO, Beatriz Ressia de. La enseñanza del Número y del Sistema de Numeración en el Nivel Inicial y el Primer Año de la EGB. In: PANIZZA, Mabel. (Organizadora). Enseñar Matemática en el Nivel Inicial y el Primer Ciclo de la EGB: Análisis y Propuestas. Buenos Aires: Ediciones Paidos Ibérica, 2003.

PEREIRA, Karina Suelen. Breve Análise do Ensino Matemático nas Séries Iniciais. V. 11, n. 1, p. 23-28. Londrina: UNOPAR Científica, Ciências Humanas e Educação, junio de 2010. Acesso em 25 de janeiro de 2017.


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