«UM BOM EDUCADOR ABRAÇA QUANDO TODOS REJEITAM; ANIMA QUANDO TODOS CONDENAM; APLAUDE OS QUE NUNCA SUBIRAM AO PÓDIO; VIBRA COM A CORAGEM DE DISPUTAR DOS QUE FICARAM NOS ÚLTIMOS LUGARES. NÃO PROCURA O SEU PRÓPRIO BRILHO, MAS FAZ-SE PEQUENO PARA TORNAR OS SEUS FILHOS, ALUNOS E COLEGAS DE TRABALHO, GRANDES». (AUGUSTO CURY)

02 setembro 2017

MATEMÁTICA: O ENSINO RENOVADO

Por Andréa Gonçalves




Em 1980, o National Council of Teachers of Mathematics NCTM , dos Estados Unidos, apresentou recomendações para o ensino de Matemática no documento Agenda para Ação.
Nele, a resolução de problemas era destacada como o foco do ensino da Matemática nos anos '80. Também a compreensão da relevância de aspectos sociais, antropológicos, linguísticos, além dos cognitivos, na aprendizagem da Matemática, imprimiu novos rumos às discussões curriculares. (BRASIL, 1998, p. 18)
Nas décadas que se seguiram, diversos países formalizaram suas atenções ao ensino da matemática criando movimentos que tiveram por objetivo rever os currículos escolares.
No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) simbolizaram a oficialização desta inovação, porém, este mesmo documento, salientou que mesmo nos dias atuais muitos professores insistem em utilizar as teorias dos conjuntos nas séries iniciais, a formalização precoce de conceitos, o predomínio absoluto da álgebra, deixando de lado as aplicações práticas, um ponto a ser questionado.


Os autores Glewbber Spíndola Saraiva de Moura, Josinalva Estacio Menezes e Flaviane Karine Albuquerque de Moura (2007), salientam que o Ensino Renovado adotou alguns métodos de ensino que consolidaram as práticas pedagógicas dos educadores. Sua aplicabilidade foi definida da seguinte maneira:

  • Abordagens históricas

Nesta interpretação a história da matemática foi usada como ponto de partida para o aprendizado. Retomar como as civilizações costumavam relacionar-se com os conhecimentos matemáticos, as relações que estabeleciam com o número, podem ser ótimos desencadeador para iniciar o trabalho.

  • Abordagens etnomatemáticas

Esta aproximação preocupa-se em beneficiar-se dos conhecimentos prévios dos alunos, apontando os conhecimentos matemáticos do grupo cultural como eixos norteadores do trabalho docente.

  • Modelagem

O ponto de partida são situações motivadoras da realidade. O ensino matemático se desenvolve a partir de uma determinada situação próxima.

  • Uso de jogos

Os conteúdos são tratados através de jogos, aproveitando o universo lúdico que atrai tanto as crianças.

Todas essas estratégias promoveram o encurtamento da distância entre os conteúdos matemáticos e as experiências sociais dos alunos. A intenção era atrair a audiência dos discentes.
A educação matemática ― como toda produção humana ― é resultado de um processo contínuo, historicamente construído, influenciada pelo contexto cultural e social da sociedade. É um erro pensar que o conhecimento matemático está desconectado com as transformações sociais, culturais e econômicas que vivemos. Por isso, a matemática hoje tem o desafio de promover tarefas que façam os alunos refletirem sobre os desafios diários que enfrentam.


Em relação ao professor, é preciso que este, conheça a realidade em toda a sua complexidade e use deste conhecimento para significar o ensino de matemática garantindo verdadeiramente que o conhecimento seja apropriado.
Sobre isso, o Parâmetro Curricular Nacional expõe que "[...] numa reflexão sobre o ensino de Matemática é de fundamental importância ao professor (PCN,1998, p.35)":

  • Identificar as principais características dessa ciência, de seus métodos, de suas ramificações e aplicação;
  • Conhecer a história da vida dos alunos, seus conhecimentos prévios sobre um dado assunto, suas condições sociológicas, psicológicas e culturais;
  • Tenha clareza de suas próprias concepções sobre a Matemática, uma vez que a prática em sala de aula, as escolhas pedagógicas a definição de objetivos e conteúdos de ensino e as formas de avaliação estão intimamente ligadas a essas concepções. (PCN,1998, p.35-36).

O processo de ensino-aprendizagem só ocorrerá se o trabalho realizado considerar o aluno como protagonista da construção de sua aprendizagem. O professor, organiza, atividades/problemas que possibilitem aos alunos a construção de conceitos e procedimentos a partir dos objetivos traçados inicialmente.
É importante salientar que nesta metodologia de ensino a relação entre professor e aluno não é unilateral. O trabalho coletivo é privilegiado, porque acredita-se, que este tipo de enfoque, favorece a cooperação, o diálogo, ao respeito, os compartilhamentos de estratégias/soluções, entre outros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percorrendo por fatos da história do ensino da Matemática no Brasil, observamos que existiram muitos esforços para que esta disciplina pudesse ser compreendida nos bancos escolares.

Porém, nenhuma reforma conseguiu dar conta do que se pensava poder alcançar. Currículos abastados de conteúdos complexos, sem sentido algum, levavam a uma incompreensão devastadora por parte de docentes e discentes.

Foi assim no Ensino Clássico, quando ainda se pensava no aluno como tábula rasa e o docente como o dominador do saber. As atividades mecanizadas refletiam o engessamento intelectual. O aluno mero reprodutor de conteúdos restringia-se a decorar, decorar incessantemente o que lhe era passado.
No Movimento da Matemática Moderna, cheio de esperanças e críticas ao modo como se conduziam as aulas de matemática, só reiteraram mais "fracassos". O desinteresse pela disciplina, tão discutido entre os educadores, parece ter sido reportado também a esta geração.
A complexidade dos conteúdos norteada pelas concepções de conjunto, não assombraram apenas discentes, mas apavoraram muitos docentes por nem mesmo eles compreenderem a linguagem matemática utilizada.

O livro didático, passou a ser a tábua de salvação, sendo muleta dos professores. As atividades eram seguidas rigorosamente sem qualquer conexão entre elas. Enquanto a imprensa, apoiava as reformas, docentes indignados, manifestavam-se contra a qualidade e o modo como tinham sido implementados esses programas nas escolas.

Durante a reforma da Matemática Moderna, pareciam haver concordâncias entre reformistas e não-reformistas sobre a necessidade de melhorar os cursos de formação de professores.
É importante destacar que as ideias reformistas foram importadas, ou seja, educadores brasileiros tomados pela euforia da descoberta, voltavam ao território nacional e implantaram um novo enfoque de ensino sem discutir se este estava adequado à realidade local.
Tanto o Ensino Clássico como a Matemática moderna compartilharam de um alunado completamente desinteressado, sem entender o sentido de se aprender matemática. Esta situação, em especial, levou a novas discussões que levaria, a outra reforma: "A Didática da Matemática".
Nesta abordagem, a aprendizagem é concebida através da interação do aluno com o meio.
Pela primeira vez, em anos, há uma perspectiva diferente da relação do aluno com o conhecimento.
O professor, passa a propor atividades que promovam condições aos discentes de construir seus conhecimentos. O olhar sobre aluno, passa a ser diferente, tornando-o capaz de colaborar e participar efetivamente do seu processo de aprendizagem.

Mesmo assim, as preocupações com os rumos que ensino de matemática, incitam um novo movimento: O Ensino Renovado.
No Ensino Renovado, ensinar matemática passa a demandar competências antes nunca atribuídas aos professores.

O saber contextualizado torna-se norteador do processo de ensino aprendizagem.
Mesmo após essas significativas mudanças, docente de matemática, precisa enfrentar o desafio diário de promover uma aprendizagem cativante aos alunos.

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REFERÊNCIAS


FREEPIK, Imagens Vetoriais. Recursos Gráficos para Todos.

GAMA DA COSTA, Andressa Florcena. Práticas Avaliativas em Matemática deProfessores do Ensino Fundamental: Aproximações e Distanciamentos em Relação àsRecomendações da Educação Matemática. Presidente Prudente: UNESP, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2013.

MOURA, Glewbber Spíndola Saraiva de; MENEZES, Josinalva Estacio; MOURA, Flaviane Karine Albuquerque de. Alternativas Metodológicas Para o Ensino de Matemática Vía Resolução de Problemas Contextualizados. Belo Horizonte: IX ENEM-MG Encontro Nacional de Educação Matemática, 2007.

PORTAL PROATIVA VIRTUAL (Grupo de Pesquisa e Produção de Ambientes Interativos e Objetos de Aprendizagem). Objetos de Aprendizagem para o Ensino de Matemática. 20 de julho de 2017. Acesso em 10 de agosto de 2017.



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