“Um bom educador abraça quando todos rejeitam; anima quando todos condenam; aplaude os que nunca subiram ao pódio; vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes”.

A.Cury

22 agosto 2017

COMO AJUDAR SEU FILHO A APRENDER A LER E ESCREVER

por Débora D' Pádua


Aquisição da linguagem escrita e da leitura, comunicação escrita, relação pais e filhos, 
prazer na leitura, bem estar, são alguns dos aspectos relacionados.

As crianças nascem e a partir daí, principalmente por parte da família, surgem uma série de expectativas naturais acerca do desenvolvimento do bebê. Os pais estão sempre atentos aos sinais esperados do desenvolvimento psicomotor (segurar objetos, sentar, engatinhar, andar); da fala e comunicação; da interação do filho com o mundo (entorno) etc.
Alguns marcos desse desenvolvimento infantil são ansiosamente aguardados: As primeiras palavras, sentar-se sem apoio, engatinhar, os primeiros passinhos, entre outros mais.
Embora todos saibam que isso ocorrerá em ritmos diferentes para cada criança e de acordo com o tempo natural do seu desenvolvimento individual, existe uma expectativa ― muitas vezes baseada em comparações com outros bebês da mesma idade ou irmãos mais velhos ― que pode gerar certa ansiedade nos adultos que estão afetivamente mais próximos às crianças.

  • COMENTE COM O PEDIATRA QUE PROVAVELMENTE VAI INVESTIGAR E TE DIZER QUE ESTÁ TUDO BEM, APENAS QUE CADA CRIANÇA TEM UM RITMO... SIMPLES ASSIM!

Não obstante, alguns anos depois, com a entrada da criança nos primeiros ciclos escolares a grande expectativa se volta para que comece a ler e escrever, desvendando assim o universo da leitura e escrita.
Essa expectativa dos pais, neste momento em que já está maior e com um melhor nível de compreensão da realidade que o cerca, a criança também internaliza certa inquietude e já percebe sinais de que deve dar respostas esperadas aos pais, familiares, professores e coleguinhas. Não raramente toda equipe pedagógica que a acompanha também estabelece um ritmo e um prazo baseados em comparações com outros alunos podendo então antecipar determinados diagnósticos (falaremos sobre este tema em outra postagem).
Partindo destes pressupostos, obviamente construídos dentro de um cenário repleto de pressões internas e externas à escola é preciso calma e conhecimento para lidar com esta importante etapa. Diferentemente de aquisições anteriormente citadas que são natas ao desenvolvimento humano, a alfabetização é uma competência adquirida a partir de habilidades socialmente construídas. Por ter essa característica, é importante ressaltar que a expressão e a comunicação infantil se darão de diversas formas com uma gama de gestos, expressões, símbolos e códigos muito ricos. Porém é a comunicação escrita que será o foco num dado momento da vida escolar.

CALMA, NÃO ENTRE EM PÂNICO!

  • "Meu filho não está aprendendo a ler..." 
  • "Todos os colegas já escrevem palavras e leem e meu filho ainda não?"
  • "Como posso ajudar meu filho a aprender ler e escrever?"
  • "Será que devo mudá-lo de escola já que não está aprendendo a ler e escrever?"
Todas essas dúvidas são absolutamente normais e cada decisão tomada será no sentido de ajudar a criança e não satisfazer as expectativas dos pais. Vejam que a gama de sinais comunicadores que indicam uma riqueza enorme no universo infantil. São pequenas 'esponjinhas' e absorvem tudo. Mas é importante uma colaboração efetiva da família para esta etapa de desenvolvimento dos filhos. Você pode ajudar e muito neste processo.

VOCÊ PODE AJUDAR SEU FILHO APRENDER A LER E ESCREVER

Também cabe aos pais ajudar seu filho nesta tarefa. Nos próximos parágrafos, algumas dicas eficientes de como ajudá-lo entrar neste mundo maravilhoso da leitura e da escrita, e transportá-lo sem ansiedade.
Importante salientar que broncas e correções mais ríspidas podem atrapalhar e não ajudar. Lembre-se que a naturalidade e o prazer destes momentos devem prevalecer.

  • Ler histórias infantis com ele desde pequeno é um hábito saudável, pois os colocará de forma muito natural e divertida no complexo mundo da linguagem escrita e da leitura.
  • Fale acertadamente as pronúncias das palavras (mesmo quando pequenos), ainda que falem errado (como é o normal ao aprenderem a falar). Não o corrija, apenas faça sua parte de adulto comunicador de frases e palavras corretas, respeitando o processo da aquisição de aprendizagem de seu filho. Nunca diga: "Não é assim que se diz essa palavra; é assado", ao menos que este venha a perguntar
  • A partir dos dois aninhos os livros devem estar repletos de figuras, frases curtas e interação tátil. Opte por aqueles com muitas imagens e 3D ― que permitem interatuar de forma palpável aguçando mais de um sentido. Atenção no momento e ambiente.
  • Quando maiores, leia livros em trechos para estimular a curiosidade com o que vem depois. Estes momentos devem ser em ambientes calmos e ser prazerosos tanto para a criança quanto para o adulto: "Que tal antes de dormir?"
  • Durante a tarefa escolar o ambiente e a rotina são importantes. Organize o espaço do seu filho com menos ruídos possíveis. Se ele tiver episódios de distração, saiba que não é pirraça, manha ou falta de juízo; apenas têm mais dificuldade em concentrar-se. Esteja por perto realizando suas atividades, recordando-lhe que deve prestar atenção no que está fazendo, sempre com carinho e rigidez na medida. O momento é sério, mas não pode ser extenuante. Em breve, novo artigo: "Como Ajudar Meu Filho Com a Lição de Casa". 
  • Organize uma estante ou espaço reservado para seus livros. 
  • Estimule que faça listas de supermercado (mesmo que o quê escreva esteja confuso e com letras e sílabas que quase não correspondam às palavras sugeridas). Também bilhetes de recados e suas rotinas de tarefas podem estar inclusos aí. 
  • Mostre os rótulos e panfletos com produtos que conheça para uma associação de palavras e sonoridade da escrita. Mostre pausadamente as pronúncias para que faça a correlação com as sílabas e sons.
  • Leia na frente de seu filho e explique o que está lendo e quanto gosta de ler e obter informação escrita. 
  • Espalhe revistas e livros seus, mesmo que estejam longe do entendimento do pequeno. 
  • Permita que reescreva a receita daquele prato que tanto gostam e prepare com a ajuda dele.
  • Um passeio de ônibus é bastante interessante para que perceba que a localização depende de saber ler o percurso e que é fundamental para se chegar ao local desejado.  
  • Tire suas dúvidas quando indagado sobre a pronúncia e escrita correta das palavras. Nunca o corrija desnecessariamente e de forma impositiva. Lembre-se: Vocês estão em fases diferentes de aprendizagem.
  • Brincadeiras num trânsito caótico é uma boa oportunidade para mostrar placas que indicam o caminho, por exemplo.
  • Presenteio-o com uma letra: O Rodrigo é dono do "R" e Maria é dona do "M"... "Quais outras palavras tem sons parecidos?" Mostre muitas delas em vários lugares e livros, panfletos, nomes de lojas e brinquedos etc.
  • Mencione a importância das tarefas sugeridas pela professora e reserve tempo para sentar e orientar devidamente nas tarefas de casa.
  • Pergunte sempre o que estão lendo na escola ou quais os sons estão sendo trabalhados: "Que legal! Estão aprendendo uma nova letra. Tem muitas palavras com ela?"
  • Estabeleça com o professor um vínculo não apenas de cobranças, mas que demonstre que vocês são uma equipe na ajuda ao seu filho. Comunique-se sempre, mesmo que por escrito. Certamente o grupo pedagógico irá sentir que compartilham objetivos e isto é positivo!


Importante que todo o processo seja prazeroso e sem cobranças desmedidas: Você é o adulto; você é o modelo. E, a partir daí, naturalmente, o universo da leitura e escrita serão uma meta natural tanto quanto brincar no parque! Evite demonstrar sua ansiedade ou demonstrar que seu pequeno te causa grande preocupação neste aprendizado.
Nunca use de chantagens para barganhar melhores resultados. Nunca! Seja paciente e observante. Seja gestos de amor!

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BIBLIOGRAFIA, FONTES E REFERÊNCIAS


FERRARI, Juliana Spinelli. Papel dos Pais na Educação: A Dimensão Emocional da Formação. Brasil Escola. Acesso em 04 de setembro de 2017.

FREEPIK, Imagens Vetoriais. Recursos Gráficos para Todos.


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