Educar é viajar no mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que pensamos para nos transformar no que somos. O maior educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a refletir. Não é o que observa apenas o que é tangível aos olhos, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo.

Um bom educador abraça quando todos rejeitam; anima quando todos condenam; aplaude os que nunca subiram ao pódio; vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes.

A.Cury

08 abril 2017

Arte e Tecnologia : reflexões...


Arte e Tecnologia : reflexões...


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O conceito de tecnologia é intrigante, alguns autores utilizam desta palavra como algo novo dando a entender que essa ideia surgiu a partir de uma grande revolução e que a sociedade pós–tecnologia irá viver uma era fictícia onde máquinas e seres humanos disputam espaços.
Essa é, certamente, uma visão ínfima diante do real conceito de tecnologia pelo qual acreditamos, pois compreendemos que o seu significado vai além desta primeira explanação.
Para explicar melhor essa visão temos que considerar o conceito de tecnologia e as relações dos seres humanos para com elas em sua trajetória histórica.
O homem, em seu percurso histórico, demonstrou ser ativo em relação ao meio em que vive. Ao contrário de outras espécies, modificou e criou formas de interagir o tempo todo com o ambiente em que vive.
Foley (2003) retrata que os humanos precisam sentir-se seguros e confortáveis, por isso constroem ferramentas que assegurem esses benefícios. Relata também que essa característica nos diferenciou de outras espécies, pois nossos ancestrais precisaram desenvolver habilidades de construção e uso de ferramentas próprias – as tecnologias.
Pensamos então que tecnologia nada mais é do que um

(...) conjunto de conhecimentos e princípios científicos que se aplicam ao planejamento, à construção e um determinado tipo de atividade. (KENSKI, 2008, p.18)

            No campo das atividades artísticas, as técnicas de acordo com Santaella (2003) se definem como um saber fazer, referindo-se as habilidades, a uma bateria de procedimentos que se criam, se aprendem e se desenvolvem de acordo com as inovações tecnológicas que vão aparecendo.
Para compreender melhor essa dinâmica vamos nos aportar há alguns momentos históricos que achamos fundamentais na relação entre tecnologia e arte.
Comecemos pelo Renascimento até o século XIX, fundamentados por Santella (2003), notamos que todas as produções artísticas, neste período, eram feitas artesanalmente. O indivíduo dependia de habilidades manuais para desenhar, plasmar os recursos como pincéis, tintas e outros recursos manuseáveis do visível e do imaginário visual em forma bi ou tridimensional.
No século XVIII, com Revolução Industrial, acontece uma grande revolução tecnológica, a invenção da máquina a vapor causando desenvolvimento acelerado da civilização urbana. Nas Artes Visuais, surgiu a máquina fotográfica, criação atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1826, e com ela a produção de imagens mexeu com os ânimos de muitos artistas, alguns pintores que se sujeitavam a trabalhar em estúdios como retratistas de famílias resolveram experimentar novas formas e lugares, dando espaço e liberdade para a criação.
Segundo Bueno (2008), os pintores mais ousados resolveram sair de seus ateliês de espaço organizado e iluminação planejada para captar luz solar como os fotógrafos faziam.
Além de provocar essas mudanças, a máquina fotográfica instaurou o fim à exclusividade do artesanato nas artes visuais, pois de acordo com Santaella (2008) é neste instante que nasce a arte tecnológica.

Enquanto a técnica é um saber fazer, cuja natureza intelectual se caracteriza por habilidades que são introjetadas por um indivíduo, a tecnologia inclui a técnica, mas avança além dela. Há tecnologia onde quer que um dispositivo, aparelho ou máquina for capaz de encarnar, fora do corpo humano, um saber técnico, um conhecimento científico acerca de habilidades técnicas específicas. (SANTAELLA, 2008, p.153)

A arte tecnológica está atrelada ao fato do artista fazer uso de dispositivos, máquinas, conhecimentos científicos para materializar uma obra e por isso os impactos sociais e culturais advindos após o uso da fotografia no campo das artes visuais foram imensos.
Santanella (2008) expõe que alguns artistas ofuscados pelas possibilidades de atuação desta nova forma de expressão, abandonaram seus cavaletes e o sonho da natureza em estado puro para colher flagrantes de rua e da vida mundana.
Mesmo com toda esta repercussão a fotografia não era considerada arte, muito por sua captura da realidade se dar de forma automática, mecânica, pois ela desafiava a estrutura hierárquica das artes visuais do século XVIII que estavam norteadas pelo saber fazer da gravura, desenho ou da pintura. (MACHADO, 2003).

(...)Um fato interessante da fotografia é que ela conservou até recentemente , mais de um século após sua criação, uma parte do processo herdado no mundo técnico: a revelação em filme. Qualquer pessoa, sem nenhum conhecimento de como funciona uma máquina, pode apertar o disparador e, inevitavelmente, terá feito uma fotografia. No entanto para que ela passe para o negativo e daí para o suporte final, há um trabalho de laboratório com fluídos químicos corretos, temperatura, e luminosidade adequadas, para o qual é necessário um conhecimento técnico. (MACHADO, 2003, p.48)

No século XIX, a industrialização emergiu movimentos tecnológicos que remodelaram a sociedade e influenciaram as artes visuais, porém ainda privilegiavam o artista como protagonista do processo.
Neste mesmo século surgiu uma nova arte visual tecnológica: o cinema. Uma forma de extensão da fotografia que buscava capturar imagens em movimento. Esta foi a principal diferença entre as duas expressões artísticas.

Enquanto a fotografia congela um instante temporal, o cinema trabalha seu decurso. Esteticamente, isso permitia inserir experimentos narrativos como forma de se apropriar das tecnologias. (MACHADO, 2003, p.49)
             
            Essa nova linguagem artística efetivou completamente o mundo tecnológico porque desenvolvia um trabalho coletivo organizado de forma segmentada onde cada um dos agentes envolvidos, atores, diretores, editores, produtores, iluminadores e cinegrafistas trabalhavam em prol de um produto final – o filme, sendo que ninguém, envolvido neste processo, teria o controle absoluto dos trabalhos e etapas instaurados por ele.
No século XX, a arte foi embebedada pela absorção de novas tecnologias na criação artística. De acordo com Santaella (2003), nos anos 50 e 60, o cinema experimental voltou a receber um grande impulso principalmente nas obras dos artistas do movimento Fluxus. Nas artes plásticas enquanto Mondrian levava a pintura ao limite das meras variações de ângulos retos e cores primárias, Pollock a transformara em pura energia do gesto. Ao mesmo tempo em que a revolução eletrônica, um bom número de tecnologias começava a surgir, colocando a disposição do imaginário artístico.

Embora a tecnologia estivesse envolvida no fazer artístico, ela ganha maior importância na arte-tecnologia no contexto de uma tecnologia eletroeletrônica no final do século XX, começa a estar no presente em todas as atividades do cotidiano, moldando a sociedade e a cultura da época. (SOGABE, 2004, p.127)

As tecnologias como rádio, TV, computador, começam a popularizar-se e o conceito de arte voltada ao uso destes recursos se solidificou.
O rádio, por exemplo, primeiro meio efetivamente de massa, influenciou primeiramente o teatro para depois ser explorado como fonte autônoma para a criação. Em sua trajetória artística podemos evidenciar no final da década de 20 um filme acústico criado por Walter Ruttman, a criação de uma nova estética musical e as produções musicais inovadoras de John Cage, Boulez e Stockhausen.
Segundo Santaella (2003), a televisão principiou seu espaço no meio artístico através do Manifesto Del Movimiento Spaziale per La Televisione -1952, escrito pelo argentino Lucio Fontana que reivindicou a televisão como meio de arte. Também nos anos 50, Otto Piene e Wolf Vostell já incluíram aparelhos de TV as suas assemblages. Mas foi no ano de 1962 que o artista francês César, na exposição Antogonimes II- Ióbjet, apresentou um televisor como obra de arte. Logo em seguida Nam, June Paik, o grande pioneiro e ícone de uma série de tendências das artes tecnológicas, exibiu seu primeiro conjunto de aparellhos de TV manipulados na Exposition of Music - Eletronic Television, na galeria Parnass de Wuppertal.
Mas o grande astro da arte tecnológica não foi a televisão, mas sim o vídeo. Primeiramente porque este aparelho tinha um preço razoável e muitos dos artistas não tinham acesso aos recursos técnicos sofisticados, disponíveis aos profissionais da televisão. De acordo com Santaella (2003), o tratamento televisivo se dava predominantemente pelo uso do aparelho de TV como o objeto e, portanto como uma quase escultura.
A videoarte tomou corpo e novas maneiras usar a linguagem do vídeo começaram a ser exploradas pelos artistas. Um trabalho importante para afirmar o uso desta ferramenta como obra foi feita por Paik (1965) quando passou um vídeo produzido por ele no Café a Go Go sobre a visita do Papa pelas ruas de Nova York. Muitos o consideram a primeira obra de videoarte do mundo.

Ao colocar a luz artificial em movimento, os artistas cinéticos prenunciavam as imagens feitas de luz que viriam dominar a cena da videoarte, nos anos 70 e das imagens, nos anos 80.Mas antes disso,quando o computador não passava de um monstrengo cheio de cabos e fios ocupando salas inteiras, nos anos 60 , artistas e poetas sonhavam  com o uso desses recursos para renovar princípios da arte. O fato, a arte cinética, arte computacional emergente e formas de arte da luz já estavam tentando resolver a divisão entre a criatividade artística tradicional e as formas de criação científicas e industriais. (SANTAELLA, 2003, p.159 -160)

Ao adotar as tecnologias e todas as suas potencialidades na arte, os artistas abriram mão da genialidade individual para construir em cooperação com outras ciências uma nova forma de fazer artístico onde o potencial e a criatividade estavam também em consonância com os conhecimentos matemáticos e científicos oportunizando a estas ciências novas formas de expressão.
Os artistas tecnológicos, como descreve Santaella (2003), eram construtores de sistemas e ao mesmo tempo criadores de seus próprios trabalhos de arte.
Nos anos 70 os territórios da arte e mesmo a cultura relacionadas com as tecnologias começam a delinear-se historicamente. Esta época foi marcada pela euforia de muitos artistas em utilizar o vídeo como matéria – prima em seus trabalhos e pela inserção das videoinstalações e ambientações multimídias
Já nos anos 80, o surgimento do vídeo independente e das produtoras de TV inspiraram os artistas com sua linguagem mercadológica. Santaella (2003) coloca que alguns jovens videomakers que avizinhavam da TV de massa para virar pelo avesso sua linguagem. Domingues (1997) afirma que:

Os anos 80 são caracterizados por grandes modificações no curso da arte com as tecnologias; são decorrentes da universalização e impacto da informática, e a crescente complexidade das multimídias, intermídia e operações telemáticas. (DOMINGUES, 1997 p.204)

Verificamos que esta foi uma década inspiradora onde a ciência, tecnologia e arte, todas em crescente aceleração, se fundiram, fixando-se de vez no corpo social.

A ARTE E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS

O surgimento da imagem numérica, isto é, uma imagem produzida a partir do computador, incitou artistas a fazer muitos experimentos, que culminaram na geração de imagens computacionais e representações de objetos tridimensionais animados.
        É importante ressaltar que esses artistas trabalhavam antes mesmo da popularização do computador, entre eles destaca Nam June Paik como pioneiro em utilizar a linguagem computacional na produção de imagens.
Santaella (2003) afirma que o leque de formas de arte que a digitalização tornou possível incluía a computação gráfica, animação esculturas cibernéticas, shows a laser e que foram feitos inúmeros projetos artísticos de intercâmbios, utilizando meios e procedimentos instantâneos de suportes imateriais forma utilizados até meados dos anos 90.
Após os anos 90, a revolução digital e a explosão das telecomunicações – internet - trazem consigo a cibercultura e as comunidades virtuais. Nesta nova configuração, o mundo passa, literalmente, a estar conectado vinte e quatro horas e as informações transcendem o relações de tempo e espaço.
Esta nova tecnologia digital originada de uma experiência militar de 1969 – ARPANet[1] , e aperfeiçoada mais tarde, desencadeou o desenvolvimento nos anos 90 de softwares de navegação e mais tarde a mundo virtual como conhecemos.

Embora tenham começado a fazer uso sistemático das redes de computadores a partir de 1980, como se pode comprovar no evento de Artbox, uma rede artística de correio eletrônico, organizado por Robert Adrian, as artes das redes, que deram origem e continuidade às artes telecomunicacionais, só se instauraram a partir de meados de 90. (Santaella, 2003, p.174)

            Foi a partir da década de 90, que termos como cibercultura, cultura digital e, consequentemente, a ciberarte começaram a ser difundidos. A arte interativa tornou-se uma expressão utilizada para qualificar a arte mediada pelo computador e que, de acordo com Santaella (2003), significa que usuário- receptor pode fazer trocas sucessivas e simultâneas com as obras.
            Através da realidade virtual, seus ambientes e ferramentas a arte tecnológica têm procurado desenvolver-se propondo diálogos do artista e seus expectadores, propondo uma arte para ser vivida e experimentada por sujeitos e agentes, que recebem e que transformam o que foi proposto pelo artista.
            Esta nova proposta artística impactou também o campo educacional.

REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE ARTES VISUAIS

O ensino de Artes Visuais é obrigatório em todo o território nacional um direito garantido pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases Nacionais 9393/96. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s de Arte), são características desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por arte e considerá-la como uma área com conteúdos próprios ligados a cultura artística.
Como dizem Martins, Picosque e Guerra (2009) a arte é importante para a escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através dos tempos, a arte é patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso do saber.
Iavelberg (2010) relata ainda que a arte promove o desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos necessários a diversas áreas de estudos; entretanto não é isso que justifica sua inserção no currículo escolar, mas seu valor intrínseco como a condição humana, como patrimônio comum a ser apropriado por todos.

Entre todas as linguagens, a arte “quatro letras: a língua do mundo” – é a linguagem de um idioma que desconhece fronteiras, etnias, credos, épocas. Seja nas obras de arte daqui, seja de outros lugares, de hoje, ontem ou daquelas que estão por vir, traz em si a qualidade de ser a linguagem cuja leitura e produção existe em todo o mundo e para todo o mundo. Pensar no ensino de arte é então pensar na leitura e produção na linguagem da arte, o que, por assim dizer, é um modo único de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade. Isso pode nos tornar mais sábios seja sobre nós mesmos, o mundo ou coisas do mundo, seja sobre a própria linguagem da arte. (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2009, p.39)

As linguagens artísticas nos ajudam a compreender os fenômenos sociais, inspiram-se nestes e apropriam-se de técnicas e da criatividade humana, de seu tempo para se manifestarem. Então, a integração da arte e das TCI’s não acontecem por acaso, elas são reflexo das manifestações sociais, ambas são linguagens universais e complementares na medida em que estas se fazem presentes em todo o mundo promovendo interpretações, sensações e sendo instrumentos de socialização, transmissão cultural e transmissão da cultura.
Bertoletti (2011) relata que o tempo e o acesso à informação e imagens desencadeiam uma diferente dinâmica em que o usuário passa a ser um elemento ativo, produzindo, gerenciando e interagindo com conteúdos disponíveis na rede, propiciando mudanças culturais e conceituais.
Desta forma, a implementação do computador e da internet na escola amplia o campo de pesquisa em arte, bem como, da produção de imagens e do fruir, do interagir, com as manifestações artísticas contemporâneas e tecnológicas. Assim a integração da arte com as tecnologias digitais abre novas possibilidades para o ensino da arte na escola, tornando-se um importante instrumento de mediação nos processos de ensino/aprendizagem.
Tanto nas relações com as proposições artísticas específicas das tecnologias digitais, como na possibilidade de pesquisas no âmbito da história da arte ou da cultura visual emergente deste meio, bem como na produção e tratamento de imagens que possam ser construídos por projetos educacionais. Também mantêm relações fecundas com as propostas colaborativas de construções, proposições em conjunto entre alunos, professores, instituições e comunidade.
É primordial, por parte dos professores e das instituições educacionais a busca de novos caminhos para a construção de conhecimentos enredados com a realidade em que vivemos. Partindo deste pré-suposto julgamos que o ensino de arte pode promover meditações acerca do mundo por isso concordamos com Martins, Picosque e Guerra (2009) quando afirmam que toda a linguagem artística é um modo singular de o homem refletir seu estar no mundo porque quando o homem trabalha nesta linguagem seu coração e mente atuam juntos em poética intimidade.
Consideramos então que as TCI não vieram extinguir a criatividade e a imaginação, ao contrário elas vieram adicionar fazeres e horizontes e, como diz Prosser (2012), possibilitar novas técnicas e linguagens à linguagem artística.
Propomos, então, um ensino de Arte norteado pela a proposta triangular defendida por Ana Mae Barbosa nos anos 80 e reafirmada nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Essa proposta parte do desenvolve-se de acordo com três eixos: “fazer arte”, ler imagens, contextualizá-las no tempo e espaço. Bertoletti (2011) explica que desta forma, a construção do conhecimento em arte deve ser contextual e inter-relacional, através de relações significativas no contato, na interação e na apreensão de manifestações artísticas. Concomitantemente as transformações no ensino da arte devem dialogar com as manifestações culturais contemporâneas e tecnológicas.
Ao professor cabe através destas mudanças despertar em seus alunos, um maior compromisso com a cultura e com a história, objetivando através do contato com o legado histórico-cultural, a possibilidade de conhecer, fruir, interagir e compreender diversas manifestações artísticas.
É certo que as TCI utilizam-se das imagens, informações e ambientes virtuais para que as pessoas possam apropriar-se e conhecimentos a respeito da arte e que a acessibilidade a acervos é muito mais fácil, por isso o professor precisa saber empregá-los visando favorecer através dos ambientes virtuais de ver, ouvir, de conhecer produtos da atividade artística como pessoas e outras sociedades de outros tempos.
Moran (2007) relata que a educação escolar precisa ajudar todos a aprender de forma integral, humana, afetiva e ética, integrando o individual e o social, os diversos ritmos, métodos, tecnologias, para construir cidadãos plenos em todas as dimensões. Barbosa (2007) garante que ao fazer uso das novas tecnologias o professor estreita os laços com o educando promove a construção dos conhecimentos sobre as TCI criando um ambiente instigante onde os alunos participem e pesquisem com autonomia.

Neste sentido os conteúdos de arte desenvolvidos nas escolas também deveriam confluir para a formação do indivíduo em sintonia com o seu tempo. Considerar que hoje o indivíduo cresce num ambiente carregado de informações visuais exige uma reflexão sobre o ensino de arte no final do século. (ALMEIDA, 2011, p.70)

Por isso é imprescindível que o professor de arte esteja em constante aprendizado, buscando compreender as influências culturais, tecnológicas e da história da arte refletindo sobre sua atuação, formação e sobre os conhecimentos por ele adquiridos.Convém esclarecer que os a nova geração de professores do século XX  busca em seu cotidiano escolar tornar acessível as obras e sua história através da criticidade e da reflexão.
Rahde (2008) acredita que proporcionar as mais variadas experiências de sensibilização em sala de aula pela arte, sem negar a livre expressão, mas unindo-a com a cognição na elaboração de situações existenciais. Assim como as potencialidades da pessoa, o professor estará auxiliando seus estudantes, ao mesmo tempo, para a construção de novos saberes, para novas visões culturais, nas quais o conhecimento será certamente, uma forma de crescimento nos processos de uma aprendizagem mais crítica e construtiva.
Entendemos que a aprendizagem neste contexto é totalmente colaborativa onde,

(...) o aprendiz é responsável por sua própria aprendizagem e pela aprendizagem dos outros membros do grupo. Os aprendizes constroem conhecimento através da reflexão a partir da discussão em grupo. A troca ativa de informações instiga o interesse e o pensamento crítico, possibilitando aos aprendizes alcançarem melhores resultados do que quando estudam individualmente. Na aprendizagem colaborativa os professores deixam de ser uma autoridade para se transformarem em orientadores. (FUKS; PIMENTEL: GEROSA; FERNANDES; LECENA, 2006, p. 369).

O professor de arte se torna um mediador, aberto a receber interferências de seu aprendiz e do ambiente virtual em que está utilizando. Professor e aluno se completam no campo cognitivo, integram-se em prol do desenvolvimento de conhecimentos compartilhados.
            Apesar de essenciais na educação o uso das TCI pode se tornar pouco eficaz quando usados sem planejamento adequado Brito (2008), ressalta que o processo de implantação de qualquer projeto que envolva as tecnologias educacionais tem que ser planejado e não improvisado, se a improvisação acontecer no início do processo com certeza esse projeto não se efetivará.
            De acordo com Bertoletti (2011), a utilização das TCI nas aulas de arte vão além da utilização de softwares educacionais, pois a internet e seus recursos hipermídia ampliam as possibilidades de contato e mediação na construção de conhecimento em arte. Além da possibilidade de contato com a produção artística em diferentes momentos históricos, modifica-se o caráter de mero observador a um acesso participativo e interativo. Essas características dialogam com as proposições contemporâneas do ensino. Mas para que integrem efetivamente a prática educacional em arte, é necessária uma maior compreensão dos aspectos específicos das tecnologias digitais, enquanto ferramenta, pesquisa e linguagem. A apreensão das tecnologias digitais nas relações com os eixos norteadores dos processos de ensino/aprendizagem da arte.

 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Claudia Zamboni. As relações arte/tecnologia no ensino da arte. In: PILLAR, Analice Dutra (Org).A educação do olhar no ensino das artes.Porto Alegre: Medição,2011
BARBOSA, Jânia do Valle. Do Giz ao Mouse – A informática no processo ensino-aprendizagem. In: BARBOSA, COLOMBO, Sônia Simões. Gestão educacional uma nova visão. Porto Alegre: ARTMED, 2007
BERTOLETTI, Andréa. Tecnologia digital no ensino da arte: perspectivas e desafios. 2011. Disponível em: <http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/Comunicacao_2012/Pesquisa_e_PosGraduacao/Anais_ConexaoI/AndreaBertoletti_Tecnologia_Digital_no_Ensino_da_Arte_Perspectivas_e_Desafios.pdf>.  Acesso em: 04 jan 2013.
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[1] Rede projetada pela agência de projetos de Pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos cujo objetivo era criar uma rede de transmissão de informações para militares na Guerra Fria





Reações:

1 comentários:

Irene Ferreira disse...

Maravilhoso trabalho, dissertação de fácil compreensação, embasamento em autores ótimos, em um tema de suma importãncia. Parabéns!