«UM BOM EDUCADOR ABRAÇA QUANDO TODOS REJEITAM; ANIMA QUANDO TODOS CONDENAM; APLAUDE OS QUE NUNCA SUBIRAM AO PÓDIO; VIBRA COM A CORAGEM DE DISPUTAR DOS QUE FICARAM NOS ÚLTIMOS LUGARES. NÃO PROCURA O SEU PRÓPRIO BRILHO, MAS FAZ-SE PEQUENO PARA TORNAR OS SEUS FILHOS, ALUNOS E COLEGAS DE TRABALHO, GRANDES». (AUGUSTO CURY)

26 março 2012

>> Projeto: Nossa vida, nossa história





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Identificação:
Projeto: Relato pessoal
“Nossa vida, nossa história”
Disciplinas a serem envolvidas: Língua Portuguesa e História
Duração: Mês de Abril
Professora responsável:Andréa
Público Alvo: 3º ano do ensino fundamental
Justificativa
Muitas vezes sentimos a necessidade de compartilhar nossas experiências cotidianas com amigos e familiares. Isso ressalta nossas opiniões pessoais de fatos ocorridos.Os gêneros do discursos proporcionam este partilhar e são inúmeros e ilimitados , havendo portanto, uma gama de possibilidades de propostas de produção textual em sala de aula à partir deles. Desta forma, faz-se necessário apresentar este portador textual no terceiro ano do ensino fundamental  para que os alunos possam vivenciar suas experiências pessoais através da leitura e escrita .
Atividade desencadeadora
Leitura do texto : Minha Turma , minha rua – 3 de Julho . Discussão oral sobre o texto
Levantamento de conhecimento Prévios
·         Discussão oral com os alunos fazendo os seguintes questionamentos:
·         Vocês sabem o que é um relato pessoal?
·         Conhecem um diário?
 Objetivo Social
·         Compartilhar experiências , histórias pessoais vivenciadas tanto por professor quanto alunos.
Objetivos Educativos
·         Despertar o interesse dos alunos em usar a escrita como uma forma de comunicação;
·         Reconhecer as características desse gênero textual;
·         Analisar relatos pessoais
·         Produzir textos.  

Conteúdos
·         Conhecer e produzir textos utilizando o gênero textual relato

Etapas previstas
Apresentação do Gênero textual
OD-A aula será iniciada com uma  conversa com os alunos sobre as lembranças de fatos importantes que aconteceram em suas vidas. Destacando  que esses fatos, sempre que possível, devem ser relatados a outras pessoas para que a troca de experiência sirva de aprendizado e enriquecimento cultural. Após contarei aos alunos algo marcante sobre minha infância.
O relato de infância de Paulo Freire
·         OD- Será apresentado o texto de Paulo Freire – Minha Professora. A professora irá ler o título do texto com os alunos e perguntará a eles de que assunto o texto  parece tratar. Em seguida, solicitará que façam a leitura em voz alta do texto.   
·         A partir da leitura do texto, conversaremos sobre as seguintes questões:   
·         Qual é a relação entre o título e o conteúdo do texto?
·         Quem são os personagens?
·         Qual é o tipo de narrador do texto lido?Quem é esse narrador?
·         Qual trecho do texto permitiu a identificação do narrador?
·         Quando se passam os fatos?
·         Qual é o episódio relatado no texto?
·         A história lida trata-se de fato real ou fictício?
·         Como foi a ida do menino para a escola?
·         Como Dona Eunice ensinava as “sentenças” ao menino?    
Relato pessoal da professora
OD- A professora vai trazer para a sala de aula, fotos, objetos marcantes e vai apresentar para s alunos ( de forma escrita) seu memorial de vida.Após a apresentação  será conversado com os alunos sobre:
1)      Quem é o personagem do texto?
 2)      Qual é o tipo de narrador?
3)      Qual é o fato relatado?
4)      Quando se passam os fatos relatados?
5)      O texto lido é real ou fictício? Explique.
6)      Temos no texto uma linguagem objetiva ou subjetiva (expressa emoções, sentimentos)? Identifique no texto exemplos que comprovem a resposta.  
História da nossa escola
OD- Relato de experiência dos alunos na escola.Será solicitado aos alunos que levem para a sala de aula fotos de momentos vividos na escola ou algum objeto significante: merendeira, um trabalho, uma pasta antiga etc. A classe será divida em grupos de, no máximo, três alunos e peça que eles contem para os colegas o momento que a foto retrata ou relatem um episódio vivido em que o objeto levado para sala esteja inserido.    
Nossa história de Vida                                                                                                       
OD -Relato de experiências de vida dos alunos fora da escola- Nossa história de Vida    
Junto com a professora e tendo como apoio atividades de pesquisa os alunos irão confeccionar um livro relatando momentos importantes de sua vida.
Avaliação
Será avaliado  o  aproveitamento dos alunos e educadores durante o desenvolvimento do projeto.
Registro
  • Registro reflexivo do andamento do projeto pelo professor
  • Portifólio com produções dos alunos
  • Caderno perfil de acompanhamento do desenvolvimento dos aluno
Recursos Necessários
·         Portadores textuais diversos do gênero discursivo- Relato
·         Folha A4
·         CD
·         Fotos
·         Objetos pessoais

Bibliografia e fonte de pesquisa
www.alunosonline.com.br/portugues/relato-pessoal.html

Texto Complementar
MINHA PRIMEIRA PROFESSORA
A primeira presença em meu aprendizado escolar que me causou impacto, e causa até hoje, foi uma jovem professorinha. É claro que eu uso esse termo, professorinha, com muito afeto. Chamava-se Eunice Vasconcelos (1909-1977), e foi com ela que eu aprendi a fazer o que ela chamava de "sentenças".
Eu já sabia ler e escrever quando cheguei à escolinha particular de Eunice, aos 6 anos. Era, portanto, a década de 20. Eu havia sido alfabetizado em casa, por minha mãe e meu pai, durante uma infância marcada por dificuldades financeiras, mas também por muita harmonia familiar. Minha alfabetização não me foi nada enfadonha, porque partiu de palavras e frases ligadas à minha experiência, escritas com gravetos no chão de terra do quintal.
Não houve ruptura alguma entre o novo mundo que era a escolinha de Eunice e o mundo das minhas primeiras experiências - o de minha velha casa do Recife, onde nasci, com suas salas, seu terraço, seu quintal cheio de árvores frondosas. A minha alegria de viver, que me marca até hoje, se transferia de casa para a escola, ainda que cada uma tivesse suas características especiais. Isso porque a escola de Eunice não me amedrontava, não tolhia minha curiosidade.
Quando Eunice me ensinou era uma meninota, uma jovenzinha de seus 16, 17 anos. Sem que eu ainda percebesse, ela me fez o primeiro chamamento com relação a uma indiscutível amorosidade que eu tenho hoje, e desde há muito tempo, pelos problemas da linguagem e particularmente os da linguagem brasileira, a chamada língua portuguesa no Brasil. Ela com certeza não me disse, mas é como se tivesse dito a mim, ainda criança pequena: "Paulo, repara bem como é bonita a maneira que a gente tem de falar!..." É como se ela me tivesse chamado.
Eu me entregava com prazer à tarefa de "formar sentenças". Era assim que ela costumava dizer. Eunice me pedia que colocasse numa folha de papel tantas palavras quantas eu conhecesse. Eu ia dando forma às sentenças com essas palavras que eu escolhia e escrevia. Então, Eunice debatia comigo o sentido, a significação de cada uma.
Fui criando naturalmente uma intimidade e um gosto com as ocorrências da língua - os verbos, seus modos, seus tempos... A professorinha só intervinha quando eu me via em dificuldade, mas nunca teve a preocupação de me fazer decorar regras gramaticais.
Mais tarde ficamos amigos. Mantive um contato próximo com ela, sua família, sua irmã Débora, até o golpe de 1964. Eu fui para o exílio e, de lá, me correspondia com Eunice. Tenho impressão de que durante dois anos ou três mandei cartas para ela. Eunice ficava muito contente.
Não se casou. Talvez isso tenha alguma relação com a abnegação, a amorosidade que a gente tem pela docência. E talvez ela tenha agido um pouco como eu: ao fazer a docência o meio da minha vida, eu termino transformando a docência no fim da minha vida.
Eunice foi professora do Estado, se aposentou, levou uma vida bem normal. Depois morreu, em 1977, eu ainda no exílio. Hoje, a presença dela são saudades, são lembranças vivas. Me faz até lembrar daquela música antiga, do Ataulfo Alves: "Ai, que saudade da professorinha, que me ensinou o bê-á-bá' (Paulo Freire, publicado pela Revista Nova Escola em dezembro de 1994).

Fonte: http://www.genealogiafreire.com.br/bio_paulo_reglus_neves_freire.htm

1 comentários:

Débora Pereira disse...

Gostei da sequência didática, acredito que ela possa se aplicada em várias séries. A apresentação do professor de um texto de seu próprio punho ajuda o aluno a se sentir mais livre para compartilhar sua experiência.